quarta-feira, 7 de março de 2012

Domínios Morfoclimáticos

Domínio Morfoclimático de Mares de Morros

Esse domínio acompanha a faixa litorânea do Brasil desde oNordeste até o Sul do País. Caracteriza-se pelo relevo com topografiaem "meia-laranja", mamelonares ou mares de morros,formados pela intensa ação erosiva na estrutura cristalina das Serrasdo Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço.Apresenta predominantemente clima tropical quente e úmido,caracterizado pela floresta latifoliada tropical, que, na encosta daSerra do Mar, é conhecida como Mata Atlântica.Essa paisagem sofreu grande degradação em conseqüência daforte ocupação humana.Além do desmatamento, esse domínio sofre intenso processoerosivo (relevo acidentado e clima úmido), com deslizamentos freqüentes eformação de voçorocas.

Situação Geográfica Este domínio estende-se do sul do Brasil até o Estado da Paraíba (no nordeste), obtendo uma área total de aproximadamente 1.000.000 km². Situado mais exatamente no litoral dos Estados do: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, da Bahia, Sergipe, de Alagoas, de Pernambuco, da Paraíba; e no interior dos Estados, como: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Incluindo em sua extensão territorial cidades importantes, como: São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Recife, Porto Alegre e Florianópolis.

Características de Povoamento Como encontra-se na região litorânea leste do Brasil, foi o primeiro lugar a ser descoberto e colonizado pelos portugueses – tanto que é em Porto Seguro, Bahia, que atracou o navegante Pedro Álvares Cabral, descobrindo o Brasil. Com isso, a primeira capital da colônia portuguesa na América foi Salvador, onde iniciaram-se os processos de colonização e povoamento, respectivamente. É neste domínio que estão as duas maiores cidades brasileiras – São Paulo e Rio de Janeiro. Isto se deve a antiga constituição das duas cidades como centros econômicos, integradores, culturais e políticos. Foram muitos os resultados desse povoamento, como por exemplo, a maior concentração populacional do Brasil e a de melhor base econômica.

Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
Como o próprio nome já diz, é uma região de muitos morros de formas residuais e curtos em sua convexidade, com muitos movimentos de massa generalizados. Os processos de intemperismo, como o químico, são freqüentes, motivo pelo qual as rochas da região encontram-se geralmente em decomposição. Tem uma significativa gama de redes de drenagens, somados à boa precipitação existente (1.100 a 1.800 mm a/a e 5.000 mm a/a nas regiões serranas), que é devido à massa de ar tropical atlântica (MATA) e aos ventos alísios de sudeste, que ocasionam as chuvas de relevo nestas áreas de morros.
Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis
Lembrando que foi colocado anteriormente em relação ao povoamento, essas terras já estão sendo utilizadas economicamente há muitos anos. Decorrente disso, observa-se uma considerável desgastação do solo que elucida uma atual preservação das matas restantes. Esta região já sofreu muita devastação do homem e da sociedade e devem ser tomadas atitudes urgentes para sua conservação. Existem muitos programas, tanto do governo como privados, para a proteção da mata atlântica. Destaca-se por exemplo, a Fundação O Boticário (privado), que detém áreas de preservação ao ambiente natural e o SOS Mata Atlântica (governamental e privado). Neste sentido, a solução mais adequada para este domínio, seria a estagnação de muitos processos agrícolas ao longo de sua área, pois o solo encontra-se desgastado e com problemas erosivos muito acentuados. Deixando assim, a terra “descansar” e iniciar um projeto de reconstituição à vegetação nativa

Geografia do Brasil

A Geografia do Brasil é um domínio de estudos e conhecimentos sobre todas as características geográficas do território brasileiro. O Brasil é o quinto maior país do mundo em área descontínua: tem 1,7% das terras emersas e ocupa 47% da América do Sul. Se forem consideradas apenas as áreas contínuas, ele passa a ocupar a 4a posição, já que os Estados Unidos possuem dois territórios externos: Havaí e Alasca. Está localizado na porção centro-oriental do continente sul-americano (entre os paralelos de 5º16' de latitude norte e 33º44' de latitude sul, e entre os meridianos de 34º47' e 73º59' de longitude oeste),[1] com seu litoral banhado pelo oceano Atlântico. O Brasil tem uma área total de 8 514 876[2][3] km² que inclui 8 456 510 km² de terra e 55 455 km² de água. O ponto culminante do Brasil é o Pico da Neblina, com 2994 m;[4] o ponto mais baixo é o nível do mar. O Brasil faz fronteira com dez repúblicas sul-americanas: Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai, Venezuela e Guiana Francesa. Por comparação, o Brasil é um pouco menor em extensão territorial em relação aos Estados Unidos.
A maior parte de seu clima é tropical, embora algumas zonas possam ser classificadas como temperadas. O maior rio do Brasil, e também o mais extenso do mundo, é o Amazonas.[5][6] A floresta que cobre a bacia do rio Amazonas constitui quase a metade das florestas equatoriais da Terra.
O relevo do Brasil é formado por planaltos e planícies. Os planaltos ocupam a maior parte do território brasileiro. Os principais planaltos são o Planalto das Guianas no extremo norte e o Planalto Brasileiro no centro-oeste, no nordeste, no sudeste e no sul. As principais planícies são: a Planície Amazônica no norte, a Planície do Pantanal no sudoeste e a Planície Costeira ou Litorânea banhada pelo Oceano Atlântico.[7]
Os principais climas do Brasil são: equatorial no norte, semi-árido no nordeste, tropical na maior parte do país, tropical de altitude no sudeste e subtropical no sul.[8]
As principais bacias hidrográficas do Brasil são: a Bacia do rio Amazonas no norte, a Bacia do Tocantins-Araguaia no centro, a Bacia do São Francisco no leste, a Bacia do rio Paraná no centro-sul, a Bacia do Paraguai no sudoeste, a Bacia do Uruguai no extremo sul, a Bacia do Atlântico Sul no litoral sul, a Bacia do Atlântico Sudeste no litoral sudeste, a Bacia do Atlântico Leste no litoral leste, a Bacia do Atlântico Nordeste Oriental no nordeste e as Bacias do Parnaíba e a do Atlântico Nordeste Ocidental no meio-norte.[9]
O Brasil tem diferentes tipos de vegetação. Os principais são: a Floresta Amazônica no norte, a Mata dos Cocais no meio-norte, a Mata Atlântica desde o nordeste até o sul, a Mata das Araucárias no sul, a Caatinga no nordeste, o Cerrado no centro, o Complexo do Pantanal no sudoeste, os campos no extremo sul com manchas esparsas em alguns estados do país e a vegetação litorânea desde o Amapá até o Rio Grande do Sul.[10]

Índice

 [esconder

[editar] Localização

[editar] Área

Mapa-múndi com a relação dos países por ordem de área. Trata-se de um tema bastante relativo na geografia mundial.
Ocupando uma área territorial de 8.514.876 km² (incluindo as águas internas), o Brasil é o país mais extenso da América do Sul. É ainda o terceiro das Américas e o quinto do mundo: apenas a Rússia (com 17.075.400 km²), o Canadá (com 9.984.670 km²), a República Popular da China (com 9.596.960 km²) e os Estados Unidos (com 9.629.091 km²) têm maior extensão.[11]
Devido ao fato de apresentar tão grande extensão territorial, o Brasil é considerado um país continental, ou seja, um país cujas dimensões físicas atingem a proporção de um verdadeiro continente, sendo que seu território ocupa 1,6% da superfície do globo terrestre, 5,7% das terras emersas do planeta Terra, 20,8% da superfície do continente americano e 47,3% da superfície da América do Sul.
A condição de país continental, no caso do Brasil, pode ser encarado tanto positiva como negativamente. Por um lado, temos uma imensa área física, com grande diversidade de solos, climas e potencialidades produtivas - algo que pode ser potencialmente vantajoso. Por outro lado, enfrentamos sérias dificuldades para integrar as populações, que habitam todo esse território, e atender às suas necessidades, o que, socialmente, pode ser encarado como uma desvantagem.
Como o Brasil tem o formato aproximado de um gigantesco triângulo, mais precisamente de um coração, é mais extenso no sentido leste-oeste do que no sentido norte-sul. Entretanto, como essas distâncias são quase iguais, costuma-se dizer que o Brasil é um país equidistante.
  • Distância Leste-Oeste: (em linha reta) 4.328 km.
  • Distância Norte-Sul: (em linha reta) 4.320 km.

[editar] Coordenadas geográficas

O Brasil está situado entre os paralelos 5°16'19" de latitude norte e 33°45'09" de latitude sul e entre os meridianos 34°45'54" de longitude leste e 73°59'32" de longitude oeste.
O país é cortado simultaneamente ao norte pela Linha do Equador e ao sul pelo Trópico de Capricórnio; por isso, possui a maior parte do seu território situado no hemisfério sul (93%), na zona tropical (92%), a menor parte no hemisfério norte (7%) e a outra na zona temperada do sul (8%).[12]

[editar] Fronteiras

Município de Oiapoque-AP, o começo da fronteira marítima.
O Brasil tem 23.086 km de fronteira, sendo 15.791 km terrestres e 7.367 km marítimas.
O litoral estende-se da foz do rio Oiapoque, no cabo Orange, ao norte, até o arroio Chuí, no sul. A linha costeira do Brasil tem uma extensão de 7.491 km,[13] constituída principalmente de praias de mar aberto.
Fronteira entre Brasil e Uruguai.
Com exceção de Equador e Chile, todos os outros países da América do Sul fazem fronteiras com o Brasil, sendo a mais extensa com a Bolívia. As extensões da fronteira com cada país vizinho são:[14]

Fronteiras do Brasil
PaísExtensão
Argentina1.261 km
Bolívia3.423 km
Colômbia1.644 km
Guiana1.606 km
Guiana Francesa730,4 km
Paraguai1.365 km
Peru2.995 km
Suriname593 km
Uruguai1.068 km
Venezuela2.200 km
Total16.886 km

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Peste Negra

Introdução
Meados do século XIV foi uma época marcada por muita dor, sofrimento e mortes na Europa. A Peste Bubônica, que foi apelidada pelo povo de Peste Negra, matou cerca de um terço da população européia. A doença mortal não escolhia vítimas. Reis, príncipes, senhores feudais, artesãos, servos, padres entre outros foram pegos pela peste.
A peste espalha a morte pela Europa 
Nos porões dos navios de comércio, que vinham do Oriente, entre os anos de 1346 e 1352, chegavam milhares de ratos. Estes roedores encontraram nas cidades européias um ambiente favorável, pois estas possuíam condições precárias de higiene. O esgoto corria a céu aberto e o lixo acumulava-se nas ruas. Rapidamente a população de ratos aumentou significativamente.

Estes ratos estavam contaminados com a bactéria Pasteurella Pestis. E as pulgas destes roedores transmitiam a bactéria aos homens através da picada. Os ratos também morriam da doença e, quando isto acontecia, as pulgas passavam rapidamente para os humanos para obterem seu alimento, o sangue.

Após adquirir a doença, a pessoa começava a apresentar vários sintomas: primeiro apareciam nas axilas, virilhas e pescoço vários bubos (bolhas) de pus e sangue. Em seguida, vinham os vômitos e febre alta. Era questão de dias para os doentes morrerem, pois não havia cura para a doença e a medicina era pouco desenvolvida. Vale lembrar que, para piorar a situação, a Igreja Católica opunha-se ao desenvolvimento científico e farmacológico. Os poucos que tentavam desenvolver remédios eram perseguidos e condenados à morte, acusados de bruxaria. A doença foi identificada e estudada séculos depois desta epidemia.

Relatos da época mostram que a doença foi tão grave e fez tantas vítimas que faltavam caixões e espaços nos cemitérios para enterrar os mortos. Os mais pobres eram enterrados em valas comuns, apenas enrolados em panos.

O preconceito com a doença era tão grande que os doentes eram, muitas vezes, abandonados, pela própria família, nas florestas ou em locais afastados. A doença foi sendo controlada no final do século XIV, com a adoção de medidas higiênicas nas cidades medievais.

Revoltas Camponesas 

Com a morte de boa parte dos servos, muitos senhores feudais aumentaram as obrigações, fazendo os camponeses trabalharem e pagarem impostos pelos que haviam morrido. Como a exploração sobre os servos já era exagerada, em muitos feudos, principalmente na França e Inglaterra), ocorreram revoltas camponesas. Estes, chegaram a invadir e saquear castelos, assassinando os senhores feudais e outros nobres. Os senhores feudais que conseguirarm sobrevirer não ficaram intertes aos movimentos de revolta. Organizaram exércitos fortes e combateram com violência as revoltas. Porém, em muitas regiões da Europa, os camponeses obtiveram conquistas importantes, conseguindo diminuir as obrigações servis.
 

segunda-feira, 5 de março de 2012

feudalismo


O Feudalismo
Formação

A formação do feudalismo, desenvolveu-se num longo período, que engloba a crise do Império Romano a partir do século III, a formação dos Reinos Bárbaros e a desagregação do Império Carolíngeo no século IX.


Introdução


   
A formação do feudalismo, na Europa Ocidental, envolveu uma série de elementos estruturais, de origem romana e germânica, associados aos fatores conjunturais, num longo período, que engloba a crise do Império Romano a partir do século III, a formação dos Reinos Bárbaros e a desagregação do Império Carolíngeo no século IX.
 

A Crise Romana

   
A partir do século III a crise do Império romano tornou-se intensa e manifestou-se principalmente nas cidades, através das lutas sociais, da retração do comércio e das invasões bárbaras. Esses elementos estimularam um processo de ruralização, envolvendo tanto as elites como a massa plebéia, determinando o desenvolvimento de uma nova estrutura sócio econômica, baseada nas Vilae e no colonato.
    As transformações da estrutura produtiva desenvolveram-se principalmente nos séculos IV e V e ocorreram também mesmo nas regiões onde se fixaram os povos bárbaros, que, de uma forma geral, tenderam a se organizar seguindo a nova tendência do Império, com uma economia rural, aprofundando o processo de fragmentação.
    Em meio a crise, as Vilae tenderam a se transformar no núcleo básico da economia. A grande propriedade rural passou a diversificar a produção de gêneros agrícolas, além da criação de animais e da produção artesanal, deixando de produzir para o mercado, atendendo suas próprias necessidades.
Foi dentro deste contexto que desenvolveu-se o colonato, novo sistema de trabalho, que atendia aos interesses dos grandes proprietários rurais ao substituir o trabalho escravo, aos interesses do Estado, que preservava uma fonte de arrecadação tributária e mesmo aos interesses da plebe, que migrando para as áreas rurais, encontrava trabalho.
 

O Colono


   
O colono é o trabalhador rural, colocado agora em uma nova situação. Nas regiões próximas à Roma a origem do colono é o antigo plebeu ou ainda o ex-escravo, enquanto nas áreas mais afastadas é normalmente o homem de origem bárbara, que, ao abandonar o nomadismo e a guerra é fixado à terra
    O colono é um homem livre por não ser escravo, porém está preso à terra.
    A grande propriedade passou a dividir-se em duas grandes partes, ambas trabalhadas pelo colono; uma utilizada exclusivamente pelo proprietário, a outra dividida entre os colonos. Cada colono tinha a posse de seu lote de terra, não podendo abandona-lo e nem ser expulso dele, devendo trabalhar na terra do senhor e entregar parte da produção de seu lote.
    Dessa maneira percebe-se que a estrutura fundiária desenvolve-se de uma maneira que pode ser considerada como embrionária da economia feudal
    É importante notar que durante todo o período de gestação do feudalismo ainda serão encontrados escravos na Europa, porém em pequena quantidade e com importância cada vez mais reduzida.

 
gravura que retrata o trabalho do camponês no feudo

 
As Invasões Bárbaras


   
Os povos “bárbaros”, ao ocuparem parte das terras do Império Romano, contribuíram com o processo de ruralização e com a fragmentação do poder, no entanto assimilaram aspectos da organização sócio econômica romana, fazendo com que os membros da tribo se tornassem pequenos proprietários ou rendeiros e, com o passar do tempo, cada vez mais dependentes dos grandes proprietários rurais, antigos líderes tribais.
    O colapso do “Mundo Romano” possibilitou o desenvolvimento de diversos reinos de origem bárbara na Europa, destacando-se o Reino dos Francos, formado no final do século V, a partir da união de diversas tribos francas sob a autoridade de Clóvis, iniciador da Dinastia Merovíngea.
    A aliança das tribos, assim como a aliança de Clóvis com a Igreja Católica impulsionou o processo de conquistas territoriais, que estendeu-se até o século IX e foi responsável pela consolidação do “beneficium”, que transformaria a elite militar em elite agrária.
    O “Beneficium” era uma instituição bárbara, a partir da qual o chefe tribal concedia certos benefícios a seus subordinados, em troca de serviços e principalmente de fidelidade. Em um período de crise generalizada, marcada pela retração do comércio, da economia monetária e pela ruralização, a terra tornou-se o bem mais valioso e passou a ser doada pelos reis a seus principais comandantes.
 


cavaleiro medieval

 

O Império Carolíngeo


   
Durante o reinado de Carlos Magno (768 - 814), a autoridade real havia se fortalecido, freando momentaneamente as tendências descentralizadoras. Como explicar então a formação do feudalismo, se o poder real é fortalecido? Primeiro a centralização deve ser vista dentro do quadro de conquistas da época, comandadas pelo rei, reforçando sua autoridade, mas ao mesmo tempo, preservando o beneficium. Com o Estado centralizado, a cobrança das obrigações baseadas na fidelidade ainda são eficientes e esse função é destinada aos “Missi Dominici” ( enviados do rei). Segundo, a Igreja Católica já era uma importante instituição, que, ao apoiar as conquistas do rei, referenda sua autoridade e poder, ao mesmo tempo que interfere nas relações sociais, como demostra o “Juramento de Fidelidade” instituição de origem bárbara que passou a ser realizada sob “os olhos de Deus” legitimando-a como representativa de sua vontade.
    No entanto é importante perceber as contradições existentes nesse processo: a Igreja construiu sua própria autoridade e como grande proprietária rural tendeu, em vários momentos, a desvincular-se do poder central.


As Relações de Suserania e Vassalagem


   
As relações de subordinação desenvolveram-se desde o século V, no entanto foi durante o reinado de Carlos Magno que tomaram sua forma mais desenvolvida. O incentivo aos laços de vassalagem num primeiro momento fortalecia o poder real, pois direta ou indiretamente estendia-se a toda a sociedade, no entanto, com o passar do tempo o resultado tornou-se oposto na medida em que as relações pessoais foram reforçadas, diminuindo portanto a importância do Estado.

 

Economia Feudal

 

   
A economia feudal possuía base agrária, ou seja, a agricultura era a atividade responsável por gerar a riqueza social naquele momento. Ao mesmo tempo, outras atividades se desenvolviam, em menor escala, no sentido de complementar a primeira e suprir necessidades básicas e imediatas de parcela da sociedade. A pecuária, a mineração, a produção artesanal e mesmo o comércio eram atividades que existiam, de forma secundária.
 



   
Como a agricultura era a atividade mais importante, a terra era o meio de produção fundamental. Ter terra significava a possibilidade de possuir riquezas ( como na maioria das sociedades antigas e medievais), por isso preservou-se a caráter estamental da sociedade. Os proprietários rurais eram denominados Senhores Feudais, enquanto que os trabalhadores camponeses eram denominados servos.
    O feudo era a unidade produtiva básica. Imaginar o feudo é algo complexo, pois ele podia apresentar muitas variações, desde vastas regiões onde encontramos vilas e cidades em seu interior, como grandes “fazendas” ou mesmo pequenas porções de terra. Para tentarmos perceber o desenvolvimento socioeconômico do período, o melhor é imaginarmos o feudo como uma grande propriedade rural. O território do feudo era dividido normalmente em três partes: O Domínio, terra comum e manso servil
O Domínio é a parte da terra reservada exclusivamente ao senhor feudal e trabalhada pelo servo. A produção deste território destina-se apenas ao senhor feudal. Normalmente o servo trabalha para o senhor feudal, nessa porção de terra ou mesmo no castelo, por um período de 3 dias, sendo essa obrigação denominada corvéia.
    Terra comum e a parte da terra de uso comum. Matas e pastos que podem ser utilizadas tanto pelo senhor feudal como pelos servos. É o local de onde retiram-se lenha ou madeira para as construções, e onde pastam os animais.
    Manso servil era a parte destinada aos servos. O manso é dividido em lotes (glebas) e cada servo tem direito a um lote. Em vários feudos o lote que cabe a um servo não é contínuo, ou seja, a terra de vários servos são subdivididas e umas intercaladas nas outras. De toda a produção do servo em seu lote, metade da produção destina-se ao senhor feudal, caracterizando uma obrigação denominada talha.
    Esse sistema se caracteriza pela exploração do trabalho servil, responsável por toda a produção. O servo não é considerado um escravo, porém não é um trabalhados livre. O que determina a condição servil é seu vínculo com a terra, ou seja, o servo esta preso a terra. Ao receber um lote de terra para viver e trabalhar, e ao receber (teoricamente) proteção, o servo esta forçado a trabalhar sempre para o mesmo senhor feudal, não podendo abandonar a terra. Essa relação, definiu-se lentamente desde a crise do Império Romano com a formação do colonato.
    Além da corvéia e da talha, obrigações mais importantes devidas pelo servo ao senhor, existiam outras obrigações que eram responsáveis por retirar dos servo praticamente tudo o que produzia.
Tradicionalmente a economia foi considerada natural, de subsistência e desmonetarizada. Natural por que baseava-se em trocas diretas, produtos por produto e diretamente entre os produtores, não havendo portanto um grupo de intermediários (comerciantes); de subsistência por que produzia em quantidade e variedade pequena, além de não contar com a mentalidade de lucro, que exigiria a produção de excedentes; desmonetarizada por não se utilizar de qualquer tipo de moeda, sendo que havia a troca de produto por produto.
    Apesar de podermos enxergar essa situação básica, cabem algumas considerações: o comércio sempre existiu, apesar de irregular e de intensidade muito variável. Algumas mercadorias eram necessárias em todos os feudos mas encontradas apenas em algumas regiões, como o sal ou mesmo o ferro. Além desse comércio de produtos considerados fundamentais, havia o comércio com o oriente, de especiarias ou mesmo de tecidos, consumidos por uma parcela da nobreza (senhores feudais) e pelo alto clero. Apesar de bastante restrito, esse comércio já era realizado pelos venezianos.
    Mesmo o servo participava de um pequeno comércio, ao levar produtos excedentes agrícolas para a feira da cidade, onde obtinha artesanato urbano, promovendo uma tímida integração entre campo e cidade. “ A pequena produtividade fazia com que qualquer acidente natural (chuvas em excesso ou em falta, pragas) ou humano ( guerras, trabalho inadequado ou insuficiente) provocasse períodos de escassez” (1) Nesse sentido havia uma tendência a auto suficiência, uma preocupação por parte dos senhores feudais em possuir uma estrutura que pudesse prove-lo nessas situações

 
A sociedade



   
A sociedade feudal era composta por duas classes sociais básicas: senhores e servos. A estrutura social praticamente não permitia mobilidade, sendo portanto que a condição de um indivíduo era determinada pelo nascimento, ou seja, quem nasce servo será sempre servo. Utilizando os conceitos predominantes hoje, podemos dizer que, o trabalho, o esforço, a competência e etc, eram características que não podiam alterar a condição social de um homem.
    O senhor era o proprietário dos meios de produção, enquanto os servos representavam a grande massa de camponeses que produziam a riqueza social. Porém podiam existir outras situações: a mais importante era o clérigo. Afinal o clero é uma classe social ou não?
    O clero possuía grande importância no mundo feudal, cumprindo um papel específico em termos de religião, de formação social, moral e ideológica. No entanto esse papel do clero é definido pela hierarquia da Igreja, quer dizer, pelo Alto Clero, que por sua vez é formado por membros da nobreza feudal. Originariamente o clero não é uma classe social, pois seus membros ou são de origem senhorial (alto clero) ou servil (baixo clero).
    A maioria dos livros de história retrata a divisão desta sociedade segundo as palavras do Bispo Adalberon de Laon: “na sociedade alguns rezam, outros guerreiam e outros trabalham, onde todos formam um conjunto inseparável e o trabalho de uns permite o trabalho dos outros dois e cada qual por sua vez presta seu apoio aos outros” Para o bispo, o conjunto de servos é “uma raça de infelizes que nada podem obter sem sofrimento”. Percebe-se o discurso da Igreja como uma tentativa de interpretar a situação social e ao mesmo tempo justifica-la, preservando-a. Nesta sociedade, cada camada tem sua função e portanto deve obedece-la como vontade divina.



 

   
Na camada superior, “os guerreiros” pode-se perceber uma diferença entre nobres e cavaleiros. Os primeiros descendem das principais famílias do período carolíngeo, enquanto que os demais se tornaram proprietários rurais a partir da concessão de extensões de terras oferecidas pelos nobres. Essa relação era bastante comum, fortalecia os laços entre os membros da elite, mesmo por que os cavaleiros se tornavam vassalos e ao mesmo tempo procuravam imitar o comportamento da nobreza tradicional, adotando sua moral e seus valores. Com o passar do tempo a diferenciação entre nobres e cavaleiros foi desaparecendo; preservou-se no entanto a relação de suserania e vassalagem.
    A relação de suserania e vassalagem é bastante complexa. Sua origem remonta ao Reino Franco, principalmente durante o reinado de Carlos Magno e baseia-se na concessão do feudo (beneficium).
Surgem os dois primeiros problemas: Quem esta envolvido nesta relação? e, o que é feudo?
    Esta relação é eventual, pode existir ou não, dependendo da vontade ou da necessidade das partes, que são sempre dois senhores feudais; ou seja, é uma relação social que envolve membros da mesma camada social, a elite medieval. O termo feudo originariamente significava “benefício”, algo concedido a outro, e que normalmente era terra, daí sua utilização como sinônimo da “propriedade senhorial”.       Suserano é o senhor que concede o benefício, enquanto que vassalo é o senhor que recebe o benefício. Esta relação, na verdade bastante complexa, tornou-se fundamental durante a Idade Média e serviu para preservar os privilégios da elite e materializava-se a partir de três atos: a homenagem , a investidura e o juramento de fidelidade. Normalmente o suserano era um grande proprietário rural e que pretende aumentar seu exército e capacidade guerreira, enquanto o vassalo, é um homem que necessita de terras e camponeses.

 
O poder
 


 

   
No mundo feudal não existiu uma estrutura de poder centralizada. Não existe a noção de Estado ou mesmo de nação. Portanto consideramos o poder como localizado, ou seja, existente em cada feudo. Apesar da autonomia na administração da justiça em cada feudo, existiam dois elementos limitadores do poder senhorial. O primeiro é a própria ordem vassálica, onde o vassalo deve fidelidade a seu suserano; o segundo é a influência da Igreja Católica, única instituição centralizada, que ditava as normas de comportamento social na época, fazendo com que as leis obedecessem aos costumes e à “ vontade de Deus”. Dessa forma a vida quase não possuía variação de um feudo para outro.
    É importante visualizar a figura do rei durante o feudalismo, como suserano-mor, no entanto sem poder efetivo devido a própria relação de suserania e a tendência á auto-suficiência econômica.


 
Para saber mais:

domingo, 4 de março de 2012

retrospectiva 2011

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16/12/2010 | Enviar | Imprimir | Comentários: 1 | A A A
Pode-se dizer que o ano de 2010 começou com o “pé esquerdo”: no dia 12 de janeiro, um terremoto devastou o Haiti, causando a maior tragédia humana dos últimos anos. Poucos meses depois, em abril, um vazamento de óleo causou o maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.
O ano, contudo, também ficará lembrado por coisas boas. A Copa do Mundo, por exemplo,  para sempre ficará lembrada como o primeiro Mundial no continente africano (e por suas adoravelmente irritantes “vuvuzelas”). O emocionante resgate dos mineiros no Chile ficará lembrado por sua mensagem de força e resiliência.
Confira os acontecimentos que marcaram o mundo para o Opinião e Notícia

Terremoto no Haiti

Uma das maiores tragédias humanitárias da história, o terremoto que abalou o Haiti no dia 12 de janeiro trouxe custos irreparáveis para o frágil Haiti.
Porto Príncipe, a capital do Haiti, foi totalmente devastada pelo terremoto (Fonte: Newsweek)
Além de deixar mais de 250 mil mortos, o terremoto danificou as já precárias estruturas básicas do país mais pobre das Américas, dificultando operações de resgate e tratamento dos feridos. Meses após a tragédia, o país continua abalado, lidando com abandono e problemas vestigiais, como um surto de cólera que já matou mais de duas mil pessoas no país.
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Copa do Mundo da África do Sul

vuvuzelaA Copa do Mundo de 2010 entrou para a história como o primeiro mundial realizado no continente africano. Para o povo brasileiro, contudo, ela será lembrada pela eliminação precoce da seleção brasileira e a relação tempestuosa com o técnico Dunga, um dos treinadores mais questionados em todas as Copas. Além de marcar o primeiro título mundial da Espanha, a Copa da África do Sul deixou como herança personagens curiosos como Paul, o “polvo vidente”, Larissa Riquelme, a paraguaia que ficou notória por guardar seu celular em seu farto decote, e a “vuvuzela”, a cornetinha africana cujo irritante zumbido não saía de nossas cabeças (por mais que quiséssemos) .
Uma das imagens mais marcantes da Copa foi o beijo apaixonado, transmitido em rede nacional, entre o goleiro da seleção vitoriosa, Iker Casillas, e sua namorada, a repórter Sara Carbonero. O vídeo rapidamente rodou o mundo e arrematou, com ares de romance, uma Copa do Mundo para entrar para a história.
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WikiLeaks

Polarizador de opiniões, o site que “vaza” informações confidenciais esteve no centro de um dos maiores escândalos de 2010. A perseguição ao site e a seus criadores culminou em novembro, quando a revelação de documentos diplomáticos confidenciais deflagrou uma perseguição internacional atrás do criador da ferramenta, Julian Assange. Preso sob acusações de crimes sexuais, Assange continua sendo alvo da ira e da adoração de políticos e jornalistas ao redor do mundo. Muito além de trazer a público informações confidenciais, o WikiLeaks simboliza o poder de influência da internet, capaz de abalar até mesmo as relações diplomáticas entre países — e de enfurecer os republicanos mais inflamados.
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Primeira célula sintética

Celulas sinteticasQuinze anos e 40 milhões de dólares depois, um grupo de 20 cientistas conseguiu criar, em 2010, o primeiro organismo cujo DNA foi inteiramente construído dentro de um laboratório. Embora não constitua uma forma de vida inteiramente artificial – uma vez que o DNA, apesar de totalmente reconstruído, surgiu a partir de uma espécie –, o estudo marca uma nova era na biotecnologia, e traz expectativas sobre a criação de genomas ainda mais complexos no futuro.
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Resgate dos mineiros no Chile

No dia 13 de outubro, milhares de pessoas pararam para acompanhar, ao vivo, o resgate do grupo de mineiros soterrados no Chile. Os pouco mais de dois meses enterrados a uma profundidade de 700 metros foram física e psicologicamente debilitantes, mas ao menos trouxeram fama instantânea aos 33 mineiros, saudados como heróis após o resgate à La “Big Brother”. A solidariedade foi geral, e iniciativas não faltaram para amenizar o drama dos trabalhadores. Diariamente, eles recebiam aulas de ginástica, videogames e cartas de parentes e amigos.
Para ocupar o tempo ocioso, jogavam cartas e gravavam filmes mostrando sua vida subterrânea, lidando com bom humor com a situação dramática. Desde que retornaram à superfície, os mineiros vêm sendo tratados como verdadeiras estrelas. A mensagem de esperança e resiliência que transmitiram para o mundo provavelmente ficará eternamente associada ao ano de 2010. Pelo menos no que depender da indústria cinematográfica, que já prepara uma versão do drama para as telonas.
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PIP: os implantes de mama que espalharam o pânico



PIP
Foto: Lionel Cironneau / AP.


Por Armando Dupont

Por estética ou por motivo de saúde, milhares de mulheres em todo o mundo estão se submetendo a cirurgias para colocar implantes mamários. Algumas admitem que enfrentam o risco de uma cirurgia por vaidade, outras garantem que só querem melhorar a auto-estima. Os cirurgiões plásticos também têm pacientes que se submetem a cirurgias de reconstrução do seio depois de acidentes ou de mastectomias, frequentemente ligadas ao câncer de mama. Este tipo de cirurgia estética ou plástica é realizada há mais de meio século, recordam os especialistas, que defendem esta intervenção cirúrgica por considerá-la bastante segura.

No entanto, um escândalo recente revelou os problemas inesperados que algumas pacientes podem enfrentar, quando o governo francês recomendou a remoção de todos os implantes da marca PIP em dezembro.

O que são implantes mamários?

Implantes mamários são próteses artificiais inseridas no corpo para aumentar o tamanho dos seios ou reconstrui-los.

Segundo especialistas, a definição mais simples é uma bolsa de diferentes tamanhos, dependendo da preferência ou conveniência da paciente, repleta de uma substância com consistência que varia de líquida a gelatinosa. Em geral, trata-se de uma solução salina ou de silicone, que também pode vir em forma de gel.

Por meio da introdução de um volume para aumentar artificialmente o tamanho do seio, o implante também possibilita a modificação da forma da mama.

Felipe Martínez, cirurgião-plástico da Sociedade Colombiana de Cirurgia Plástica, explicou que a técnica existe há 45 anos. “O implante é introduzido no corpo por meio de uma incisão, que pode ser realizada na auréola do mamilo, na axila ou na base do seio, em que o peso da mama pode ou não deixar uma dobra, uma região conhecida como ‘ sulco submamário’”, detalhou Martínez.

Resumo de um escândalo mundial

A Poly Implants Prothèse (PIP) fabricou próteses de silicone durante quase 20 anos, até ser fechada pelo governo francês em 2010. A PIP destinava grande parte de sua produção à exportação, sobretudo para países da América Latina, uma região que o aumento crescente do poder aquisitivo (e em alguns casos, do culto à beleza e aos seios grandes) transformou em um atraente mercado para procedimentos cirúrgicos estéticos.

Milhares de mulheres – segundo estimativas, cerca de 400 mil – haviam colocado implantes mamários desta marca até 2010, quando a vigilância sanitária francesa constatou que a PIP utilizava silicone industrial, e não o habitual silicone de grau médico, para rechear suas próteses.

Mas o escândalo estourou em dezembro de 2011, quando as autoridades de França recomendaram a cerca de 30 mil mulheres a extração dos implantes da PIP, depois de constatar que estas próteses se rompiam com mais frequência. 

A partir deste momento, milhares de mulheres em todo o mundo descobriram que seus implantes não continham o material adequado e autorizado para utilização médica, além de apresentarem um risco maior de ruptura. 

As consequências do problema

“Obviamente, isso gerou muito pânico”, reconheceu o doutor Felipe Martínez em entrevista ao TuDiscovery. “São milhares de pacientes porque as PIP eram as próteses mais vendidas da América Latina. Todas elas estão em pânico. Ligam para as amigas às três da manhã, não dormem, têm pesadelos. Muitas nem sequer têm essa marca, mas quando lhes contamos isso, essas pacientes ficaram aliviadas. (…) Outras estão em perfeito estado e podem ser retiradas depois, não é uma urgência”, explica o especialista.

“Existe o risco de a prótese se romper, mas não o de provocar câncer. Já foi provado que o silicone, mesmo o industrial, não produz câncer. Até mesmo os silicones mais antigos, implantados há 40 anos, não provocam a doença. Essa discussão já acabou há muitos anos. E ainda tem gente que acredita que as próteses PIP dão câncer. Não, esse risco não existe”, enfatizou. 

“Em geral, como são próteses implantadas há vários anos, em caso de ruptura, o corpo cria uma membrana ao redor da prótese, que se chama cápsula. Se ela se romper, o normal é que este gel coesivo não vaze para o corpo, mas fique dentro da cápsula que envolve a prótese. Então, não é uma urgência imediata. As pacientes precisam ter calma, não precisam sair às três da manhã para trocar o implante. (…) Podem demorar meses”, resumiu. 

PIP e a lei

Desde o escândalo, países como a Venezuela determinaram que o sistema público de saúde assuma o custo pela retirada dos implantes das pacientes que desejarem fazê-lo. No Brasil, o SUS só pagará pelas cirurgias se houver ruptura do implante. A França foi além e garantiu que pagará pela substituição de todas as próteses.

As decorrências legais do escândalo são múltiplas. A rede CNN divulgou que cerca de duas mil mulheres na América Latina anunciaram ações judiciais.

Leia o depoimento de Patrícia, uma das vítimas das próteses de silicone adulteradas